Laurent Suaudeau    


“Melhor um peixe bem congelado que um pescado fresco não confiável.”

Quando chegou ao Brasil, qual foi sua impressão sobre a gastronomia brasileira?
Em 1980, o quadro gastronômico não era dos mais atrativos. Não havia queijos de boa qualidade, as hortaliças em geral não apresentavam bom estado, havia frutas e peixes em grande quantidade, mas eram pouco confiáveis. Existiam poucos restaurantes de cozinha internacional e a gastronomia se dividia em dois pólos: Rio de Janeiro e São Paulo.

Quais conhecimentos os franceses trouxeram para a gastronomia brasileira?
Creio que a vinda dos franceses para o Brasil iniciou um processo de valorização do produto nacional. Acredito que nós, franceses, colaboramos nesse sentido, dizendo: valorize sua mandioquinha, seu tambaqui, seu pirarucu; não olhe para esses produtos com desprezo. O potencial dos ingredientes brasileiros, por séculos, foi ignorado. Mas, fico feliz, pois vejo que atualmente, vários cozinheiros estão abraçando o movimento de valorização do ingrediente nacional.

Como manter a qualidade dos pratos e garantir que o sabor seja sempre especial?
O padrão de qualidade começa na produção. Acho que o produtor de alimento é fundamental na execução de uma boa gastronomia. É por isso que acredito que o pequeno produtor desse país não é visto de forma respeitosa e ainda tem muita dificuldade em obter auxílios. Ele precisa de instrumentos como instalações, financiamentos governamentais e incentivo fiscal para oferecer um alimento de qualidade. Mas tenho certeza que esse quadro irá mudar. Minha grande satisfação é ver esses profissionais crescendo, ver que o pequeno produtor que me fornece alimentos ampliou suas instalações e que já está visando o mercado externo.

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